quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Nossa Senhora Imaculada Conceição - 08 dezembro

A Imaculada Conceição: “Piedosa crença” que se tornou dogma

Mons. João Clá Dias, EP
A Imaculada Conceição da Maria Virgem - singular privilégio concedido por Deus, desde toda a eternidade, Àquela que seria Mãe de seu Filho Unigênito - preside a todos os louvores que Lhe rendemos na recitação de seu Pequeno Ofício. Assim, parece-nos oportuno percorrer rapidamente a história dessa "piedosa crença" que atravessou os séculos, até encontrar, nas infalíveis palavras de Pio IX, sua solene definição dogmática.
Onze séculos de tranquila aceitação da "piedosa crença"
Séculos XII-XIII: Oposições
Os mais antigos Padres da Igreja, amiúde se expressam em termos que traduzem sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria. Assim, por exemplo, São Justino, Santo Irineu, Tertuliano, Firmio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Epifânio, Teódoro de Ancira, Sedulio e outros comparam Maria Santíssima com Eva antes do pecado. Santo Efrém, insigne devoto da Virgem, A exalta como tendo sido "sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada". Para Santo Hipólito Ela é um "tabernáculo isento de toda corrupção". Orígenes A aclama"imaculada entre imaculadas, nunca afetada pela peçonha da serpente". Por Santo Ambrósio é Ela declarada "vaso celeste, incorrupta, virgem imune por graça de toda mancha de pecado". Santo Agostinho afirma, disputando contra Pelágio, que todos os justos conheceram o pecado, "menos a Santa Virgem Maria, a qual, pela honra do Senhor, não quero que entre nunca em questão quando se trate de pecados".

Cedo começou a Igreja - com primazia da Oriental - a comemorar em suas funções litúrgicas a imaculada conceição de Maria. Passaglia, no seu De Inmaculato Deiparae Conceptu, crê que a princípios do Século V já se celebrava a festa da Conceição de Maria (com o nome de Conceição de Sant'Ana) no Patriarcado de Jerusalém. O documento fidedigno mais antigo é o cânon de dita festa, composto por Santo André de Creta, monge do mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém, o qual escreveu seus hinos litúrgicos na segunda metade do século VII.

Tampouco faltam autorizadíssimos testemunhos dos Padres da Igreja, reunidos em Concílio, para provar que já no século VII era comum e recebida por tradição a piedosa crença, isto é, a devoção dos fiéis ao grande privilégio de Maria (Concílio de Latrão, em 649, e Concílio Constantinopolitano III, em 680).

Em Espanha, que se gloria de ter recebido com a fé o conhecimento deste mistério, comemora-se sua festa desde o século VII. Duzentos anos depois, esta solenidade aparece inscrita nos calendários da Irlanda, sob o título de "Conceição de Maria".

Também no século IX era já celebrada em Nápoles e Sicílias, segundo consta do calendário gravado em mármore e editado por Mazzocchi em 1744.
Em tempos do Imperador Basílio II (976-1025), a festa da "Conceição de Sant'Ana" passou a figurar no calendário oficial da Igreja e do Estado, no Império Bizantino.

No século XI parece que a comemoração da Imaculada estava estabelecida na Inglaterra, e, pela mesma época, foi recebida em França. Por uma escritura de doação de Hugo de Summo, consta que era festejada na Lombardia (Itália) em 1047. Certo é também que em fins do século XI, ou princípios do XII, celebrava-se em todo o antigo Reino de Navarra.

No mesmo século XII começou a ser combatido, no Ocidente, este grande privilégio de Maria Santíssima.

Tal oposição haveria ainda de ser mais acentuada e mais precisa na centúria seguinte, no período clássico da escolástica. Entre os que puseram em dúvida a Imaculada Conceição, pela pouca exatidão de idéias à matéria encontram-se doutos e virtuosos varões, como, por exemplo, São Bernardo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e o angélico São Tomás de Aquino.
Século XIV: Escoto e a reação a favor do dogma

O combate a esta augusta prerrogativa da Virgem não fez senão acrisolar o ânimo de seus partidários. Assim, o século XIV se inicia com uma grande reação a favor da Imaculada, na qual se destacou, como um de seus mais ardorosos defensores, o beato espanhol Raimundo Lulio.

Outro dos primeiros e mais denodados campeões da Imaculada Conceição foi o venerável João Duns Escoto (seu país é natal é incerto: Escócia, Inglaterra ou Irlanda; morreu em 1308), glória da Ordem dos Menores Franciscanos, o qual, depois de bem fixar os verdadeiros termos da questão, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desvanecer as dificuldades que os contrários opunham à singular prerrogativa mariana.

Sobre o impulso dado por Escoto à causa da Imaculada Conceição, existe uma tocante legenda. Teria ele vindo de Oxford a Paris, precisamente para fazer triunfar o imaculatismo. Na Universidade da Sorbonne, em 1308, sustentou uma pública e solene disputa em favor do privilégio da Virgem.

No dia dessa grande ato, Escoto, quando chegou ao local da discussão, prosternou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava em sua passagem, e lhe dirigiu esta prece: "Dignare me laudare te, Virgo sacrata: da mihi virtutem contra hostes tuos". A Virgem, para mostrar seu contentamento com esta atitude inclinou a cabeça - postura que, a partir de então, Ela teria conservado...

Depois de Escoto, a solução teológica das dificuldades levantadas contra a Imaculada Conceição se tornou casa dia mais clara e perfeita, com o que seus defensores se multiplicaram prodigiosamente. Em seu favor escreveram inúmeros filhos de São Francisco, entre os quais se podem contar os franceses Aureolo (m. em 1320) e Mayron (m. em 1325), o escocês Bassolis e o espanhol Guillermo Rubión. Acredita-se que esses ardorosos propagandistas do santo mistério estejam na origem de sua celebração em Portugal, nos primórdios do século XIV.

O documento mais antigo da instituição da festa da Imaculada nesse país é um decreto do Bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, datado de 17 de Outubro de 1320. A par dos doutores franciscanos, cumpre ainda mencionar, entre os defensores da Imaculada Conceição nos séculos XIV-XV, o carmelita João Bacon (m. em 1340), o agostiniano Tomás de Estrasburgo, Dionísio, o Cartuxo (m. em 1471), Gerson (m. em 1429), Nicolau de Cusa (m. em 1464) e outros muitos esclarecidos teólogos pertencentes a diversas escolas e nações.



Séculos XV-XVI: acirradas disputas

Em meados do século XV, a Imaculada Conceição foi objeto de renhido combate durante o Concílio de Basiléia, resultando num decreto de definição sem valor dogmático, posto que este sínodo perdeu a legitimidade ao se desligar do Papa.

Entretanto, crescia cada dia mais o número das cidades, nações e colégios que celebravam oficialmente a festa da
     





Imaculada. E com tal fervor, que nas cortes da Catalunha, reunidas em Barcelona entre 1454 e 1458, decretou-se pena de perpétuo desterro para quem combatesse o santo privilégio.


O autêntico Magistério da Igreja não tardou a dar satisfação aos defensores do dogma e da festa. Pela bula Cum proeexcelsa, de 27 de Fevereiro de 1477, o Papa Sixto IV aprovou a festa da Conceição de Maria, enriqueceu-a de indulgências semelhantes às festas do Santíssimo Sacramento e autorizou ofício e missa especial para essa solenidade.

Pelos fins do século XV, porém, a disputa em torno da Imaculada Conceição de tal maneira acirrou os ânimos dos contendores, que o mesmo Papa Sixto IV se viu obrigado a publicar, em data de 4 de setembro de 1483, a Constituição Grave Nimis, proibindo sob pena de excomunhão que os de uma parte chamassem hereges aos da outra.

Por essa época, festejavam a Imaculada célebres universidades, como as de Oxford, de Cambridge e a de Paris, a qual, em 1497, instituiu para todos os seus doutores o juramento e o voto de defender perpetuamente o mistério da Imaculada Conceição, excluindo de seus quadros quem não os fizesse. De modo semelhante procederam as universidades de Colônia (em 1499), de Magúncia (em 1501) e a de Valência (em 1530).

No Concílio de Trento (1545-1563) se ofereceu nova ocasião para denodado combate entre os dois partidos. Sem proferir uma definição dogmática da Imaculada Conceição, esta ssembléia confirmou de modo solene as decisões de Sixto IV. A 15 de Junho de 1546, na sessão V, em seguida aos cânones sobre o pecado original, acrescentaram-se estas significativas palavras: "O sagrado Concílio declara que não é sua intenção compreender neste decreto, que trata do pecado original, a Bem-aventurada e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, mas que devem observar-se as constituições do Papa Sixto IV, de feliz memória, sob as penas que nelas se cominam e que este Concílio renova".

Por esse tempo, começaram a reforçar as fileiras dos defensores da Imaculada Conceição os teólogos da recém-fundada Companhia de Jesus, entre os quais não se achou um só de opinião contrária. Aliás, pelos primeiros missionários jesuítas no Brasil temos notícia de que, já em 1554, celebrava-se o singular privilégio mariano em nosso País. Além da festa comemorada no dia 8 de Dezembro, capelas, ermidas e igrejas eram edificadas sob o título de Nossa Senhora da Conceição.

Entretanto, a piedosa crença ainda suscitava polêmicas, coibidas pela intervenção do Sumo Pontífice. Assim, em outubro de 1567, São Pio V, condenando uma proposição de Bayo que afirmava ter morrido Nossa Senhora em conseqüência do pecado herdado de Adão, proibiu novamente a disputa acerca do augusto privilégio da Virgem.
Séculos XVII e seguintes: consolidação da "piedosa crença"

No século XVII, o culto da Imaculada Conceição conquista Portugal inteiro, desde os reis e os teólogos até os mais humildes filhos do povo. A 9 de Dezembro de 1617, a Universidade de Coimbra, reunida em claustro pleno, resolve escrever ao Papa manifestando-lhe a sua crença na imaculabilidade de Maria.

Naquele mesmo ano, Paulo V, decretou que ninguém se atrevesse a ensinar publicamente que Maria Santíssima teve pecado original. Semelhante foi a atitude de Gregório XV, em 1622.

Por essa época, a Universidade de Granada se obrigou a defender a Imaculada Conceição comvoto de sangue, quer dizer, comprometendo-se a dar a vida e derramar o sangue, se necessário fosse, na defesa deste mistério. Magnífico exemplo que foi imitado, sucessivamente, por grande número de cabidos, cidades, reinos e ordens militares.

A partir do século XVII também foram se multiplicando as corporações e sociedades, tanto religiosas como civis, e até mesmo estados, que adotaram por padroeira à Virgem no mistéiro de sua Imaculada Conceição.

Digna de particular referência é a iniciativa de D. João IV, Rei de Portugal, proclamando Nossa Senhora da Conceição padroeira de seus "Reinos e Senhorios", ao mesmo tempo que jura defendê-La até à morte, segundo se lê na provisão régia de 25 de março de 1646. A partir deste momento, em homenagem à sua Imaculada Soberana, nunca mais os reis portugueses puseram a coroa na cabeça.
Em 1648, aquele mesmo Monarca mandou cunhar moedas de outro e prata. Foi com estas que se pagou o primeiro feudo a Nossa Senhora. Com o nome de Conceição, tais moedas tinham no anverso a legenda: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALBARBIAE REX, a Cruz de Cristo e as armas lusitanas. No reverso: a imagem da Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648 e, nos lados, o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e a Arca da Aliança, símbolos bíblicos da Santíssima Virgem.

Outro decreto de D. João IV, assinado em 30 de junho de 1654, ordenava que "em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de seus Reinos", fosse colocada uma lápide cuja inscrição exprimisse a fé do povo português na imaculada Conceição de Maria.

Igualmente a partir do século XVII imperadores, reis e as cortes dos reinos começaram a pedir com admirável constância, e com uma insistência de que há poucos exemplos na História, adeclaração dogmática da Imaculada Conceição.

Pediram-na a Urbano VIII (m. em 1644) o Imperador Fernando II da Áustria; Segismundo, Rei da Polônia; Leopoldo, Arquiduque do Tirol; o eleitor de Magúncia; Ernesto de Baviera, eleitor de Colônia.

O mesmo Urbano VIII a pedidos do Duque de Mântua e de outros príncipes, criou a ordem militar dos Cavaleiros da Imaculada Conceição, aprovando ao mesmo tempo seus estatutos. Por devoção à Virgem Imaculada, quis ele ser o primeiro a celebrar o augusto Sacrifício na primeira igreja edificada em Roma sob o título da Imaculada, para uso dos menores capuchinhos de São Francisco.
Porém, o ato mais importante emanado da Santa Sé, no século XVII, em favor da Imaculada Conceição, foi a bula Sollicitude omnium Ecclesiarum, do Papa Alexandre VII, em 1661. Neste documento, escrito de sua própria mão, o Pontífice renova e ratifica as constituições em favor de Maria Imaculada, ao mesmo tempo que impõe gravíssimas penas a quem sustentar e ensinar opinião contrária aos ditos decretos e constituições. Esta bula memorável precede diretamente, sem outro decreto intermediário, a bula decisiva de Pio IX.
Em 1713, Felipe V de Espanha e as Cortes de Aragão e Castela pediram a solene definição a Clemente XI. E o mesmo Rei, com quase todos os Bispos espanhóis, as universidades e Ordens religiosas, a solicitaram a Clemente XII, em 1732.

No pontificado de Gregório XVI, e nos primeiros anos de Pio IX, elevaram-se à Sé Apostólica mais de 220 petições de Cardeais, Arcebispos e Bispos (sem contar as dos cabidos e ordens religiosas) para que se fizesse a definição dogmática.
O triunfo da Imaculada Conceição
Enfim, chegado era o tempo. Em 2 de fevereorp de 1849, Pio IX, desterrado em Gaeta, escreveu a todos os Patriarcas Primazes, Arcebispos e Bispos do orbe a Encíclica Ubi primum, questionando-lhes acerca da devoção de seu clero e de seus povos ao mistério da Imaculada Conceição, e seu desejo de vê-lo definido.
De um total de 750 Cardeais, Bispos e vigários apostólicos que em seu seio contava então a Igreja, mais de 600 responderam ao Sumo Pontífice. Levando-se em conta as dioceses que estariam vacantes, os prelados enfermos e as respostas perdidas, pode-se dizer que todos atenderam à solicitação do Papa, manifestando unanimemente que a fé de seu povo era completamente favorável à Imaculada Conceição, e apenas cinco se diziam duvidosos quanto à oportunidade de uma declaração dogmática.

Afirmara-se a crença universal da Igreja. Roma iria falar, a causa estava julgada.

Agora - são palavras de uma testemunha da bela festa de 8 de dezembro de 1854 - transportemo-nos ao augusto templo do Chefe dos Apóstolos (Basílica de São Pedro de Roma). Nas suas amplas naves se comprime e se confunde uma imensa multidão impaciente, porém recolhida. É hoje em Roma, como outrora em Éfeso: as celebrações de Maria são em toda a parte populares. Os romanos se aprestam a receber a definição da Imaculada Conceição, como os efesianos acolheram a da maternidade divina de Maria: com cânticos de júbilo e manifestações do mais vivo entusiasmo.

Eis no limiar da Basílica o Soberano Pontífice. Circundam-no 54 Cardeais, 42 Arcebispos e 98 Bispos dos quatro cantos do orbe cristão, duas vezes mais vasto que o antifo mundo romano. Os Anjos da Igrejas estão presentes como testemunhas de fé de seus povos na Imaculada Conceição. Subitamente, irrompem as vozes em tocantes e reiteradas aclamações. O cortejo dos Bispos atravessa lentamente o longo corredor do Altar da Confissão. Sobre a cátedra de São Pedro está sentado seu 258º sucessor.

Iniciam-se os santos mistérios. Logo o Evangelho é anunciado e cantado nas diversas línguas do Oriente e do Ocidente. Eis o solene momento marcado para o decreto pontifício. Um Cardeal carregado de anos e de méritos, aproxima-se do trono: é o decano do Sacro Colégio; feliz está ele, como outrora o velho Simeão, por ver o dia da glória de Maria ... Em nome de toda a Igreja, dirige ele ao Vigário de Cristo uma derradeira postulação.

O Papa, os Bispos e toda a grande assembléia caem de joelhos; a invocação ao Espírito Santo se faz ouvir; o sublime hino é repetido por cinqüenta mil vozes ao mesmo tempo, subindo aos Céus como imenso concerto.

Cessado o cântico, ergue-se o Pontífice sobre a cátedra de São Pedro; sua face é iluminada por celeste raio, visível efusão do Espírito de Deus; e de uma voz profundamente emocionada, em meio às lágrimas de alegria, pronuncia ele as solenes palavras que colocam a Imaculada Conceição de Maria no número dos artigos de nossa fé:

"Declaramos - disse ele -, pronunciamos e definimos que a doutrina de que a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeira instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em atenção aos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de culpa original, essa doutrina foi revelada por Deus, e deve ser, portanto, firme e constantemente crida por todos os fiéis".
O Cardeal decano, prostrado segunda vez aos pés do Pontífice, suplicou-lhe então que a publicase as cartas apostólicas contendo a definição. E como promotor da fé, acompanhado dos protonotários apostólicos, pediu também que se lavrasse um processo verbal desse grande ato. Ao mesmo tempo, o canhão do Castelo de Santo Angêlo e todos os sinos da Cidade Eterna anunciavam a glorificação da Virgem Imaculada.

À noite, Roma, cheia de ruidosas e alegres orquestrazs embandeirada, iluminada, coroada de inscrições e de emblemas, foi imitada por milhares de vilas e cidades em toda a superfície do globo.



O ano seguinte pode ser chamado o Ano da Imaculada Conceição: quase todos os dias foram assinalados por destas em honra da Santíssima Virgem.

Em 1904, São Pio X celebrou, juntamente com toda a Igreja Universal, com grande solenidade e regozijo, o cinqüentenário da definição do dogma da Imaculada Conceição.

O Papa Pio XII, por sua vez, em 1954 comemorou o primeiro centenário dessa gloriosa verdade de fé, decretanto o Ano Santo Mariano. Celebração esta coroada pela Encíclica Ad Coeli Reginam, na qual o mesmo Pontífice proclama a soberania da Santíssima Virgem, e estabelece a festa anual de Nossa Senhora Rainha.

(CLÁ DIAS, JOÃO. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. Artpress. São Paulo, 1997, pp. 494 à 502)
fonte:http://www.arautos.org/artigo/5220/A-Imaculada-Conceicao---ldquo-Piedosa-crenca-rdquo--que-se-tornou-dogma.html
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TRATA ESTE ESTUDO de um assunto de fundamental importância, não só para a nossa devoção, – nós, católicos, – pela Santíssima Virgem, como também para a fé cristã como um todo: a Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

A doutrina da Imaculada Conceição (ou Imaculada Concepção) é um dogma da Igreja, e certamente um dos mais mal compreendidos. Um dogma, como vimos aqui, é uma verdade de fé que deve ser crida por todo cristão (assim como a própria existência de Deus, que é o primeiro dogma: se não cremos em Deus, para começar, não há como nos considerarmos cristãos). Logo, todo cristão deve crer na Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. Ideal, porém, é conhecer para crer melhor. Para começar, é preciso entender muito bem o que quer dizer, exatamente, “Imaculada Conceição”.
A expressão "Imaculada Conceição" quer dizer que Nossa Senhora foi concebida sem a mancha do Pecado original, não tendo jamais pecado durante toda a sua vida. Mas como pode ser isto?
Antes de tudo é preciso saber que o Pecado original não consiste na dívida de pena eterna, isto é, no castigo condenatório merecido pelos descendentes de Adão, ele que era a cabeça do gênero humano. Segundo a doutrina católica (cf. Concílio de Trento), o Pecado original, verdadeiro e estrito pecado, é a dívida da culpa (cf. Dz 376, 789, 792). Assim é que S. Paulo Apóstolo decreta: "...Todos temos pecado" (cf. Rm 5,19). 

Deste modo, todos herdamos o Pecado original de nossos pais, eles de seus pais e assim sucessivamente até o primeiro homem. – E os efeitos do Pecado original são a tendência para o mal e para a inimizade com Deus. – Assim, a Virgem Maria também precisou ser salva, assim como qualquer um de nós, pelo Sacrifício Redentor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela, porém, diferente de nós, já no instante de sua concepção foi preservada do Pecado original; consequentemente, foi poupada dos seus efeitos, já que foi remida não da maneira comum a todos (pelo Batismo), mas de maneira tal que a preservou de cometer pecado ou de sequer desejar cometê-lo.

Quando Pio IX proclamou o dogma, estabeleceu explicitamente que a Imaculada Conceição de Maria ocorreu por causa da Graça única de Deus, em vista dos Méritos de Jesus Cristo. Por isso, o problema da usurpação por parte de Maria do lugar de Cristo não existe. Ao contrário, o privilégio de Maria tem como fundamento a Graça salvífica de Deus em Cristo.

Podemos usar de uma comparação simples para facilitar a compreensão desta diferença: se uma pessoa cai num poço, e chafurda na lama ao fundo até que alguém a tire de lá, esta pessoa foi “salva” por quem a tirou. Perfeito. E se outra pessoa está já caindo no poço, em plena queda, sem chance nenhuma de se salvar por suas próprias forças, mas alguém suficientemente forte a segura em pleno ar e a puxa para a segurança, impedindo que mergulhe abaixo, esta também foi “salva” por quem impediu a sua queda. – Assim Nossa Senhora foi salva, como quem é salvo de cair no poço, ao invés de ser salva como quem já caiu dentro dele, sujou-se todo e se machucou (o caso de todos nós).

E era absolutamente necessário que assim fosse, por uma razão simples: Deus preparou a Virgem especialmente, desde a queda do homem (Gn 3,15), para carregar o Salvador, Deus mesmo, em seu ventre. Seu Filho não era um menino qualquer que depois “virou Deus”. Não. Ele era, ou melhor, é desde sempre e continuará, sem fim, o eterno "Eu Sou": YHWH1; DEUS.

Sim. A partir de sua concepção no seio da Virgem Maria, pelo Espírito Santo (Lc 1,31), Deus tomou nossa natureza humana, sem perder sua Natureza Divina, e fez-se homem. – E como vimos, o Pecado original é transmitido dos pais aos filhos. Segue daí que Jesus, sendo Deus, não poderia jamais vir ao mundo como fruto de um ventre contaminado pelo pecado; não poderia tomar carne e sangue de alguém que, como explica S. Paulo, é escravo do demônio (Hb 2,15), por tender ao pecado em virtude das consequências do Pecado original.

É preciso lembrar que o Sangue de Jesus, que nos salva, é o mesmo sangue de Maria; o Corpo de Jesus, único Sacrifício que pode nos reconciliar com Deus, é o Corpo formado do corpo de Maria, de quem o Senhor tomou sua constituição humana. Você já parou para pensar nisto? Já meditou sobre este Mistério tremendo? 

No Livro do Êxodo (25,10-22) vemos o extremo cuidado que Deus ordena na preparação e no trato para com a Arca da Antiga Aliança, destinada a portar as Tábuas onde Deus escrevera a Lei dada a Moisés (Dt 10,1-2). Para portar a Lei, o SENHOR manda que se faça a arca com muitíssimos e detalhados cuidados, que tem que ser de ouro e madeira de acácia, – os materiais mais nobres e puros, raros e caros na época.

De tão sagrada, esta Arca não pode sequer ser tocada! Em 2Sm 6,6-7, vemos como Oza, filho de Abinadab, ao perceber que os bois que carregavam o carro com a Arca tropeçam, sem pensar corre para a aparar com as mãos; e imediatamente cai morto, fulminado pela Santidade de Deus!

Ora, se para com a Arca da Antiga Aliança, – que guardava Tábuas de Pedra com a Lei do Antigo Testamento, – havia tanto rigor e era necessária tamanha pureza, o que não seria necessário para que a uma mulher fosse concedida a Graça incomensurável de ser, ela própria, o Tabernáculo da Nova e Eterna Aliança, que abrigaria em si mesma não tábuas de pedra, mas sim Corpo e Sangue, Alma e Divindade do Deus Vivo e Verdadeiro! Não teria que ser ela totalmente pura, imaculada? Mais uma vez, cabem as perguntas feitas acima: você já parou para pensar nisto? Já meditou sobre este Mistério tremendo? 

Tente imaginar como foi preparada aquela que levaria o próprio SENHOR e Salvador em seu ventre, aquela cujo sangue nutriria o Verbo de Deus feito Carne, cujo leite alimentaria Deus feito homem(!). Se a Arca que haveria de conter a Palavra escrita precisava ser puríssima, poderia o próprio Verbo do Deus Vivo e Encarnado ser concebido e se desenvolver dentro de um útero minimamente impuro? A Carne de Cristo poderia ter sido tomada e formada a partir de uma mulher comum, escrava do Pecado como qualquer outra?

Vemos claramente que não se trata de uma doutrina desprovida de fundamento, "inventada". É preciso entender que nem tudo as Sagradas Escrituras dizem explicitamente. Muito está dito implicitamente, e para ser compreendido necessita, – não sem razão, mas pelo próprio Desígnio Divino, – do ensinamento da Santa Igreja, que é, segundo as mesmas Escrituras, Casa do Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade (1Tm 3,15).
A controvérsia protestante
Como sabemos, para nossos irmãos separados tudo o que importa é o que diz o texto da Escritura, – diferentes de nós, católicos, que temos a Igreja de Cristo, Corpo Místico de Cristo, como Mãe e Mestra. – De todo modo, é possível confirmar, sim, que as Sagradas Escrituras textualmente declaram Maria preservada do Pecado original, no Evangelho segundo S. Lucas (1,28), quando o Arcanjo Gabriel se mostra à pobre Virgem de Nazaré e a saúda, dizendo: “Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres!”.

Mesmo assim, a controvérsia existe, porque há discordância na tradução e/ou na interpretação desta tradução. Para entendê-la, vamos apreciar agora, de forma breve, as traduções protestantes desta passagem.

As principais traduções protestantes trazem a palavra "agraciada" ou "favorecida" no lugar de "cheia de Graça", na passagem de Lc 1,28. Para solucionar o problema, basta esclarecer, – o que faremos a partir daqui, – que atradução literal (do grego koiné) da saudação do anjo a Maria pode ser para "cheia", "plena" ou "repleta" de Graça: a expressão quer dizer, objetivamente, que a Santa Virgem é completamente cheiatotalmente preenchida pela Graça Divina. Não foi sem razão que S. Jerônimo (séc. IV), o maior especialista cristão nas línguas bíblicas, ao traduzir as Escrituras para o latim (a Vulgata), usou a expressão Gratia plena (plena de Graça). E não existem muitas dúvidas quanto a este assunto entre os especialistas realmente importantes de hoje, sejam laicos, católicos, ortodoxos ou protestantes. Pode-se discutir doutrina, Teologia, lógica. Pode-se discorrer e elucubrar sobre as implicações do que o Anjo disse. Mas não se pode mudar o que o Anjo disse.

A expressão “cheia de Graça”, no original grego, é kecharitomene (κεχαριτωμένη), e expressa a Graça de Deus em plenitude. É usada por S. Paulo na Carta aos Efésios (1,5-6): “No seu Amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre Vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa Graça (Charitou), que nos foi concedida por Ele no Bem-amado”.

Esclarecido este ponto, é preciso saber que há uma disputa insolúvel entre católicos e protestantes sobre a correta tradução do termo kecharitomene. Consideramos infrutífero entrar nessa discussão, a qual não nos pode levar senão a uma "queda de braço" sem vencedor, na palavra de um teólogo contra outro, um especialista em filologia contra outro. O que expusemos acima, evidentemente, é a posição católica, à qual fazemos nossa adesão de fé, de reta consciência diante de Deus. Podemos dizer, neste sentido, que o estudo respeitadíssimo da École Biblique et Archéologique Française de Jerusalém, do célebre Prof. Dr. Pierre Bordreuil e de tantos outros ícones do estudo das Escrituras nos idiomas originais (e também do seu contexto histórico-filológico), concorda 100% com o exposto aqui. A tradução do termo em questão deste renomado instituto é a seguinte:
"Kecharitomene: Cheia de Graça; literalmente: 'Tu que foste e permanecereis repleta do Favor divino".2
Aqui poderíamos entrar num novo debate: este "Favor" divino é o mesmo que Graça divina? Absolutamente sim, mas esta realmente não é a principal discordância entre católicos e protestantes. O que vemos como ponto fulcral das argumentações protestantes sobre o tema é no sentido de insistir que essa Graça ou esse Favor especial da parte de Deus para com Maria seria imerecido. – O que de modo algum é um problema, simplesmente porque é um fato mais do que claro que a doutrina católica jamais afirmou que Maria "mereceu" a Graça por si mesma, ou que foi por seus próprios méritos que recebeu a Graça. Como já dissemos de modo bem claro acima, cremos que Maria foi salva e recebeu essa Graça pelos Méritos de Cristo, único Salvador do gênero humano. Insistimos que também Maria foi salva, resgatada pelo Sacrifício do Cordeiro. – Porém, no caso dela essa salvação se deu de modo extraordinário.

Evidentemente, só pode ser "cheia de Graça" quem foi "agraciada", assim como só pode ser mergulhado quem foi molhado. Entretanto, as traduções “agraciada” ou "favorecida" não transmitem a plenitude da Graça recebida por Nossa Senhora. Tais interpretações do texto original deixam margem para uma imprecisão que simplesmente não se encontra no original grego. O kecharitomene de S. Lucas (1,28) diz, literalmente, que Maria sempre foi e sempre será plenamente cheia de Graça. E a Luz não tem comunhão com as trevas; Graça e pecado não habitam a mesma alma, porque são opostos (Rm 6,14).

Maria, além disso, é a única chamada Cheia ou Plena de Graça. Mais ainda, ela é chamada assim antes do Sacrifício do Cristo(!). Ora, uma mulher comum, uma escrava do Pecado original, alguém que peca e tornará a pecar, não poderia ser plenamente “cheia de Graça”. A Virgem, portanto, foi salva antes, no momento de sua concepção (diferente de nós), pelos Méritos de Cristo (assim como nós).

Que plenitude da Graça era essa que Maria alcançou? Era a Graça original, a Graça perdida, do tempo em que nossa natureza humana não estava sujeita ao Pecado, antes de o gênero humano cair e perder, por sua livre escolha, a Comunhão com Deus. Assim, do mesmo modo como nos tempos de Josué o SENHOR impediu que as águas do Jordão tocassem a Arca da Aliança (Js 3,11-16), o mesmo Deus também impediu que as torrentes do Pecado original tocassem a alma da Virgem no momento de sua concepção, com o fim de preparar o Tabernáculo pelo qual Deus Filho, o Cristo, viria.

"Se Maria é imaculada, porque precisou se purificar no Templo?"

Alguns dizem que a “prova” de que Maria não foi preservada do Pecado está no fato de ter cumprido os rituais de purificação (Lc 2,22) com uma oferenda pelo pecado (Lv 12,2-8). Mas o que o Evangelista diz é que “foram concluídos os dias da purificação de Maria segundo a Lei de Moisés”(Lc 2,22), e não que ela tivesse pecado. Nossa Senhora faz o sacrifício para submeter-se à Lei, assim como o próprio Cristo também o fez (Gl 4,4), mesmo sem precisar: para não ser causa de escândalo (Mt 17,26) e dar exemplo de obediência, para que saibamos obedecer à Lei de Cristo como Ele obedeceu à de Moisés.

"A Bíblia diz que todos pecaram; logo, Maria também pecou"
Outros querem ver na afirmação de S. Paulo (Rm 3,23), de que “todos pecaram”, uma evidência inconteste contra a Imaculada Conceição de Maria. Do mesmo modo, entretanto, esta afirmação não pode ser tomada genérica e literalmente, pois, se assim fosse, Nosso Senhor também teria pecado, pois Ele viveu neste mundo como homem, e a Escritura diz “todos”, genericamente. – Além disso, o mesmo Apóstolo, na mesma Epístola, fala dos que "não pecaram como Adão" (Rm 5,14).

Muitos outros exemplos podemos encontrar, na Bíblia, do uso desta expressão generalizante ('todo'; 'todos') sem o significado literal que não permitiria nenhuma exceção: em Mt 4,24, está escrito: “Trouxeram-lhe todos os que tinham algum mal”, mas é óbvio que nem “todos” os doentes do mundo foram à Galileia, não é?

Em Jo 12,19, está escrito: “Nada conseguis; todos vão atrás dEle”, que é Jesus. E será que realmente todas as pessoas do mundo, sem exceção, seguem Jesus? Quem dera! Do mesmo modo, em Mt 3,5-6, vemos que “toda a Judeia e toda a terra dos arredores do Jordão” ia ser batizada por S. João Batista. Mas nós sabemos que nem todos foram batizados, já que isso deveria incluir todos os fariseus e saduceus, que tinham doutrinas divergentes entre si, e até Herodes, que o mandou matar. Logo, nem "todos" foram procurar o batismo de S. João. Assim como também nem “todo o povo”, sem exceção, assumiu a responsabilidade da morte de Cristo (como está escrito em Mt 27,25); e nem “todo o povo” que morava perto do mar (cf. Mc 2,13) ou que vivia na Cesareia de Filipe (cf. Mc 9,14) foi ouvir a Cristo, não ficando nem uma pessoa sequer em sua casa...

Estamos tratando aqui, simplesmente, de um recurso de linguagem chamado generalização, muito comum na cultura semita. Assim, além da exceção já evidente de Jesus na expressão generalizante usada por S. Paulo em Rm 3,23 (‘todos pecaram’), vemos que a palavra é comumente usada com o significado de “muitos” ou de “maioria”. Portanto, a passagem em questão não é e nem pode ser uma "prova" de que Maria pecou.

Por fim, depois de tantas demonstrações e comprovações claras da santidade especialíssima de Nossa Senhora, o que podemos nós dizer, então, senão o que lhe disse o Anjo?

Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres...
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1. O Tetragrama YHWH ou YHVH, constituído pelas consoantes hebraicas י (Yod) ה (Heh) ו (Vav) ה (Heh), refere-se ao Nome do Deus de Israel. Era escrito da direita para esquerda, ou seja, HWHY. O Tetragrama aparece mais de 6.800 vezes, – isolado ou em conjunção com outro dos diversos Nomes de Deus, – no texto hebraico do Antigo Testamento. Os nomes YaHWeH (traduzido para 'Iavé' ou, latinizado, 'Javé'), ou YeHoVaH (traduzido forçosamente para 'Jeová'), são transliterações possíveis nas línguas portuguesas e espanholas, mas boa parcela de eruditos respeitáveis preferem o uso mais primitivo das quatro consoantes "YHWH". Destes, a maioria favorece a opção "Yavé" ou (latinizado) "Javé" (JaHWeH ou YaHWeH). Das maiores provas disto é a vocalização e grafia da palavra "HalleluJah" ou "HalleluYah" (Aleluia) que é a junção das duas palavras hebraicas: "Hallelu" e "Jah". "Hallelu" é um imperativo de louvor; "Jah" é a forma abreviada do nome de de DEUS. Logo, o Nome de DEUS precisa ser, necessariamente "Jahweh" ou "Yahweh", pois não se diz "Aleluieo", como aconteceria se o Nome correto fosse "Jeová".

Temos ainda o testemunho histórico de fragmentos da Versão dos LXX do Antigo Testamento encontrados em Qumran, datados do primeiro século, demonstra que o tetragrama YHWH, ao invés de ser convertido para "Kyrios" (SENHOR), como é usual hoje, é transcrito para IAO, forma hebraica abreviada de Javé, ou seja, "Iah". Este termo também é usado por Diodoro Sículo (que viveu antes de Cristo). Já Irineu (+ 202 dC), Orígenes (+ 253 dC) e São Jerônimo usaram "Iaho". Clemente de Alexandria (+ 214 dC) usou "Iaoué"(pronuciado em Grego 'Iaué'). Epifânio (+ 403) e Teodoreto de Ciro (+ 438) usaram a forma "Iabé" (pronuciado em Grego 'Iavé'), de acordo com a pronúncia dos samaritanos. – A Enciclopédia Britanica, vol. 23, pág. 867 / Enciclopédia Judaica (1901), vol. 12, pág. 119.

2. Bible de Jérusalem – port., ed. rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002, p.1789, nota 'g'.
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Fontes e bibliografia:
• O'DONNELL, John. Introdução à Teologia Dogmática, São Paulo: Loyola, 1999.
• BOURGEOIS, Henri; TIHON, Paul & SESBOUE, Bernard. História dos Dogmas III – Os Sinais da Salvação, vol. 3, São Paulo: Loyola, 2005.
• BARREIRO, Álvaro. Assumiu a Nossa Carne e Acampou Entre Nós, São Paulo: Loyola, 1995.
• DIVINO AFFLANTE SPIRITU, disponível em:
 www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_30091943_divino-afflante-spiritu_po.html
Acesso 20/10/014
• Estudo do apostolado "Veritatis Splendor", disponível em
www.veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5484-leitor-pergunta-se-maria-santissima-e-cheia-de-graca-ou-agraciada
fonte:http://www.ofielcatolico.com.br/2004/10/a-imaculada-conceicao-da-santissima.html

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Estamos solenemente comemorando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos
Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.
A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.
Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant’Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.            

No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: “Maria isenta do pecado original”.
A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: “Eu Sou a Imaculada Conceição”.
Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!
fonte:http://santo.cancaonova.com/santo/nossa-senhora-da-imaculada-conceicao/
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Imaculada Conceição
A expressão Imaculada Conceição passou a ser quase um “nome” de Nossa Senhora. Muitas mulheres, inclusive, recebem o nome de Conceição. Ao pé da letra, Imaculada Conceição significa “concepção sem mancha”. Quer dizer que, desde o momento de sua concepção, Maria foi preservada da mancha (mácula) do pecado. Imaculada Conceição, portanto, é um título de Nossa Senhora que diz respeito à sua própria natureza: humana e sem pecado desde a concepção.
A concepção sem pecado da Virgem Maria é um Dogma da Fé Católica, proclamado no dia 8 de dezembro de 1854, festa da Imaculada Conceição, pelo Papa Pio IX. O documento escrito pelo Papa diz o seguinte: “Em honra da Trindade (...) declaramos a doutrina que afirma que a Virgem Maria, desde a sua concepção, pela graça de Deus todo poderoso, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Salvador do homem, foi preservada imune da mancha do pecado original. Essa verdade foi-nos revelada por Deus e, portanto, deve ser solidamente crida pelos fiéis”.

A meia lua debaixo dos pés é uma característica importantíssima na imagem e tem simbolismos maravilhosos que merecem ser conhecidos. São os seguintes:
1. A lua não tem brilho próprio, mas reflete a luz do sol. Na Iconografia cristã, o sol é Jesus Cristo. Por isso, a luz sob os pés de Maria significa que sua luz vem de Jesus e leva a Ele. Pois, se perguntarmos: “de onde vem o brilho de Nossa Senhora?” a resposta só pode ser uma: “de Jesus, seu filho”.
2. A lua brilha no meio da escuridão da noite. A escuridão simboliza a humanidade pecadora e a lua simboliza a pureza e a luz. Significa que Maria, mesmo tendo nascido na humanidade pecadora, foi preservada do pecado pela graça de Deus, ou seja, ela é Imaculada (sem mancha) desde sua concepção no ventre de sua mãe, Santa Ana. Ela é a Imaculada Conceição, ela foi concebida sem o pecado original. Por isso, ela brilha como a lua, refletindo a luz do sol, que é a verdadeira fonte de vida, de luz e de calor. 


Significa que Maria, sendo “Imaculada Conceição”, concebida sem pecado, e tendo gerado Jesus Cristo, ela esmaga a cabeça da serpente, como está escrito no livro do Gênesis. Em Maria começou a vitória sobre o demônio e esta vitória foi concluída pela morte e ressurreição de Jesus.

Ainda nos pés da imagem de Nossa Senhora da Conceição, vemos a nuvem e anjos. Estes dois símbolos revelam que a Virgem Maria está no céu, na glória de Deus, junto com os anjos, dos quais ela é Rainha e que de lá, junto de seu filho, ela intercede por nós.
As mãos de Nossa Senhora da Conceição unidas na altura do coração simbolizam a oração. Em todas as aparições da Virgem Maria, ela pede oração. Ela mesma, enquanto viveu neste mundo, foi uma mulher de oração. E agora, no céu, não cessa de rezar, intercedendo por todos nós. As mãos de Nossa Senhora em gesto de oração nos lembram que “quem reza se salva e que não reza se perde”. A oração transforma vidas. E as mãos de Maria unidas na altura do coração nos falam que a oração deve ser feita “com o coração”, com sinceridade. E nos falam também que a oração cura o coração.
O manto da Imaculada Conceição é rico em significados. A cor azul simboliza o céu. Os bordados em dourado simbolizam a realeza e nos lembram que Nossa Senhora é Rainha do Céu e da terra.
A coroa da Imaculada Conceição nos lembra que Maria Imaculada, sem pecado, sem mancha, é Rainha do Céu e da terra. A cruz sobre a coroa significa que a Virgem Maria só é Rainha por causa de Jesus Cristo, por causa de sua morte na cruz e de sua ressurreição
fonte:http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/4588/49/






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