sábado, 27 de agosto de 2016

Nossa Senhora da Boa-Fé



Devoção iniciada na era medieval e nascida na França e na Bélgica, tem como principal objetivo lembrar da fé ininterrupta de Nossa Senhora Mãe de Deus. A devoção se espalhou pela Europa chegando a Portugal em 1603 onde em Évora foi construída uma igreja em estilo Manuelino com apenas uma nave e paredes forradas de azulejos do século XVIII. Por possuir afrescos regionais e ter características únicas, esta igreja foi considerada Imóvel de Interesse Público pelo ministério da cultura de Portugal.
A Senhora é de madeira estofada tem um menino Jesus no braço direito que é feito da mesma madeira. O menino Jesus tem na mão esquerda uma romã e na direita um pedacinho da fruta que leva à boca. Esta milagrosa Senhora era em tempos chamada de Nossa Senhora das Nascenças e como sempre fez muitos milagres; todos tinham uma fé enorme nela e passaram a chamar-lhe Senhora da Boa-Fé.

Muitas pessoas na época iam até Évora para pedir milagres. Segundo uma lenda antiga, em uma ocasião, houve uma grande peste e todos vieram em peso, rezar uma missa e pedir à Senhora, pela saúde dos doentes. Então no meio da missa apareceu um anjo com uma espada ensanguentada nas mãos, limpando-a e metendo-a na bainha disse: “Vós sois bons, sois crentes, por isso Nossa Senhora os curou. Vão em paz e o Senhor vos acompanhe”. Nesse instante todos sentiram que era verdade, estavam bons e todos a uma só voz, gritavam: “Vós Senhora, sois a Senhora da Boa-Fé, pois só a fé nos curou”. E foi assim que lhe foi mudado o nome.

No largo, ao pé da igreja, existe ainda um zambujeiro onde sempre penduravam as oferendas que iam oferecer em louvor de Nossa Senhora da Boa-Fé, Essas ofertas eram de todo o tipo: ouro, incenso, roupas, animais, havia de tudo ali.
Em outra lenda antiga, uma viúva de idade, tinha uma filha, a qual morreu ao dar à luz uma linda menina, que ficou a ser criada com a avó, que sem posses, a ia criando com as esmolas de leite que lhe davam; mas uma noite, já não tendo leite aconchegou a netinha ao peito e disse: “Meu Jesus, minha Nossa Senhora da Boa-Fé, ajude-me, para que eu possa criar a minha netinha”. Nessa altura sentiu os seios cheios de leite e foi então que criou a menina com o seu próprio peito.
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Oração a Nossa Senhora da Boa Fé
Minha mãe, conheces todas as minhas necessidades, fraquezas e tristezas. 
Que minha fé alcance seu coração e minha angustia a comova e atinja sua misericórdia e a leve a falar com teu filho sobre a minha angustia e assim intercedendo Ele a escute e amenize este sofrimento e dê solução a meu problema, mas se assim não for, aumenta minha fé, minha certeza que estás comigo, a meu lado me dando força e coragem. 
Sei que tua ternura nos envolve e nos conforta, principalmente nos momentos difíceis. Olha para mim com essa doçura e terei conforto e alivio. 
Aumenta a minha fé e humanidade, para que Jesus me socorra e me faça uma pessoa digna de suas promessas.
Nossa Senhora da Boa Fé, rogai por mim. Amém.
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Lenda de Nossa Senhora da Boa-Fé (Depois da sua imagem estar no altar da igreja)

APL 165
Esta igreja situada num alto, era rodeada de matos, murtas, carrascos e alecrins, bem como sementeiras de trigo, cevada, centeio e outras...

Dista esta de Évora, duas léguas e meia e viviam aí, nessa altura, duzentas e vinte pessoas maiores e cinco menores; havia mais, mas estas habitavam em terras de Montemor-o-Novo que faziam estrema com estas. Ao redor, existiam a norte, à distância de meia légua, S. Sebastião da Giesteira, com a sua linda igreja e a sul á mesma distânciaSão Brissos, onde há também uma ermida, a de S. Francisquinho e Nossa Senhora da Conceição.

Por defronte da igreja da Nossa Senhora da boa-Fé, passa uma ribeira que divide o termo de Évora com o de Montemor-o-Novo e que tem o nome de Ribeira da Boa-Fé, que vai correndo para sul, para S. Brissos.

Nesta ribeira havia moinhos que moíam o pão e um lagar de azeite, que moía com a água desta ribeira, junto à qual havia uma ponte que dava para serventia do povo e quase todo o ano corria por ter águas nativas.

A Senhora que é de madeira estofada tem um menino no braço direito que é feito da mesma madeira e tem na mão esquerda uma romã e na direita um baguinho que mete na boca. Esta milagrosa Senhora era em tempos chamada de Nossa Senhora das Nascenças e como sempre fez muitos milagres; todos tinham uma fé enorme nela e passaram a chamar-lhe Senhora da Boa-Fé.
Aqui acorriam todas as pessoas que queriam pedir milagres. Conta-se que nessa altura houve em Évora e arredores, uma grande peste e todos vieram em peso, rezar uma missa e pedir à Senhora, pela saúde dos doentes. Então no meio da missa apareceu um anjo com uma espada ensanguentada nas mãos, limpando-a e metendo-a na bainha disse: “Vós sois bons, sois crentes, por isso Nossa Senhora os curou. Vão em paz e o Senhor vos acompanhe”.
Nesse instante todos sentiram que era verdade, estavam bons e todos a uma só voz, gritavam: “Vós Senhora, sois a Senhora da Boa-Fé, pois só a fé nos curou”. E foi assim que lhe foi mudado o nome.
No largo, ao pé da igreja, existe ainda um zambujeiro onde sempre penduravam as oferendas que iam oferecer em louvor de Nossa Senhora da Boa-Fé, Essas ofertas eram de todo o tipo: ouro, incenso, roupas, animais, havia de tudo ali.

Nesta lenda, afirma-se por ser verdade, que uma viúva de idade, tinha uma filha, a qual morreu ao dar à luz uma linda menina, que ficou a ser criada com a avó, que sem posses, a ia criando com as esmolas de leite que lhe davam; mas uma noite, já não tendo leite aconchegou a netinha ao peito e disse: “Meu Jesus, minha Nossa Senhora da Boa-Fé, ajude-me, para que eu possa criar a minha netinha”. Nessa altura sentiu os seios cheios de leite e foi então que criou a menina com o seu próprio peito.
Esta igreja tem também no altar-mor, São Pedro, S. Sebastião da Giesteira, S. Miguel e S. João Baptista.

Tem dois altares laterais onde está Nossa Senhora do Rosário, S. Brás e outro com o Senhor crucificado e também a imagem de Santo António e S. Bento.

Fonte BiblioAA. VV., - Lendas e Tradições Évora, EBM's de Guadalupe, S. Sebastião da Giesteira e Valverde, 1999 , p.19-20
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NOSSA SENHORA DA FÉ
Um dos títulos mais apropriados para Maria é o de Nossa Senhora da Fé, pois sua vida foi um contínuo ato desta virtude primordial. Maria sempre aceitou a palavra de Deus e nunca e nunca pediu provas. Quando o anjo lhe participou que seria Mãe do Altíssimo, Ela apenas respondeu: - “Eis a escrava do senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra”. (Lc 1,38). A última frase que o evangelho recolheu de seus lábios foi nas Bodas de Caná – “Fazei o que ele vos disser”. No entanto, quando ela participou a Jesus que o vinho havia terminado, Ele lhe respondera: -“Mulher, o que tenho eu com isto? Ainda não chegou a minha hora”

(Jo 2,3-5). Sua fé total induziu Cristo a fazer o seu primeiro milagre. No tempo da Paixão Ela mostrou ao mundo a grandeza de sua fidelidade. Vendo seu Divino Filho ser crucificado e desprezado, embora os apóstolos vacilassem, a fé de Maria ficou inabalável.
Este título de Maria foi usado na Europa no período medieval, principalmente na França e na Bélgica, porém são mais conhecidas a igreja do século XVII dedicadas a este orago. Em Portugal existe uma antiga e milagrosa imagem da Senhora da Fé no templo da Madre de Deus, em Lisboa. Diz Frei Agostinho de Santa Maria que na época de D. João IV aquela efígie foi transferida para a Capela Real e era muito venerada pelos soberanos e pela corte lusitana.

Os padres jesuítas tinham grande devoção à Virgem da Fé e divulgaram seu culto nas missões do Novo Mundo. No Brasil o primeiro local criado com este nome foi a redução da Companhia de Jesus em Mato Grosso, dedicado a Santa Maria da Fé pelo padre belga João Ranconnier, em lembrança da padroeira de um santuário em seu país natal. Esta missão, a que mais se notabilizou nos anais trágicos da catequese jesuíta em mato Grosso, foi invadida pelos mamelucos em 1645, perdendo em combate o corajoso superior Padre Alonso Arias, que tombou serena e intrepidamente no meio de seus neófitos.

Mais ou menos naquela ocasião temos notícia de uma imagem de Nossa Senhora da Fé existentes na capela dos jesuítas em Salvador. Era uma escultura de madeira com 6 palmos de altura revestidas de folhas de prata e servida por uma irmandade composta de rapazes solteiros. Sua festa era celebrada na Segunda-feira após o domingo in Albis e feita com grade pompa. Continua o citado historiador sacro dizendo que não sabia se a imagem havia sido executada em Portugal ou no Brasil, mas que certamente tinha sido recoberta de prata na Bahia.


Ninguém sabe informar sobre o destino daquela valiosa efígie da Virgem, porém na sacristia da Catedral-Basílica de Salvador, a antiga igreja dos jesuítas, existe uma imagem barroca de Nossa Senhora da Fé, que dizem ter sido trazida da antiga Sé, demolida em 1912. Veio de Portugal em 1608, e é uma das obras-primas daquele artístico templo. Dizem que ela segurava na mão esquerda um olho de ouro e pedras preciosas, cercado de um rico resplendor, que se encontra atualmente no tesouro da igreja.

Em Minas Gerais, na serra da Mantiqueira, está situada a cidade de Maria da Fé, uma das localidades de maior altitude em todo o Brasil, que tem por padroeira Nossa Senhora da Fé.

A devoção a Nossa Senhora da Fé é bem antiga mais deveria ser revivida, pois nos tempos atuais há uma extrema carência desta virtude teologal e da fraternidade cristã, que são o centro da mensagem do evangelho.

Iconografia:
Maria Santíssima de pé, segurando um cálice ou outra cruz (símbolo de fé) na mão direita levantada, como para mostrá-la ao mundo. Não tem Menino e está cercado de nuvens, das quais surgem três anjos: o primeiro com a coroa papal, representando a Igreja Católica; o segundo com os olhos vendados, pois a fé é cega; e o terceiro com um livro na mão, representando os evangelhos. 
http://luizpasseios.comunidades.net/denominacoes-de-nossa-senhora

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Nossa Senhora da Boa Fé
Séc. XV  - Madeira
Alt. 100 cm x Larg. 36 cm
O culto de Nossa Senhora da Boa Fé ao qual estão associadas não só esta imagem mas também a própria igreja e talvez mesmo a povoação remonta, segundo os memorialistas, à livrança de Évora da Peste no reinado de D. Fernando. Nada resta porém dessa época e quer os aspectos mais antigos da construção quer esta imagem da padroeira remontarão apenas à primeira metade do século XVI.

A imagem tem repinturas, nomeadamente nas carnações, que dificultam a sua análise, mas parece tratar-se de uma obra flamenga, ou de Colmar, ou pelo menos muito influenciada por estes centros. Conhecemos em Portugal obras aproximáveis na colecção Palmela e no Museu Nacional de Arte Antiga (invº 1743) proveniente da colecção Vilhena caracterizadas por uma grande idealização do rosto e pela forma de apresentação do Menino, muito frontal, quase em exposição, criando uma linha diagonal em relação ao eixo vertical da Virgem. Os panejamentos presos à figura, com o vestido caindo em canudos e o manto traçado sobre ele em largas pregas em V, e o avanço ligeiro do joelho, são outras características da escultura do norte europeu que encontramos na imagem.

A romã que o Menino Jesus come é um símbolo tradicional da fecundidade, a que S. João da Cruz dava o sentido de atributo da perfeição divina, enquanto que a Patrística o via como emblema da unidade da Igreja.

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